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Aos 86 anos, morre Abimael Guzmán, fundador do Sendero Luminoso

O Ministério da Justiça do Peru informou, neste sábado (11), que o fundador do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, de 86 anos, faleceu. Acusado de terrorismo, ele cumpria prisão perpétua em Lima, desde a década de 1990. A causa do óbito não foi informada.

Guzmán, que cumpria sua pena na Base Naval de Callao, era professor de filosofia na Universidade Nacional San Cristóbal de Huamanga, em Ayacucho, cerca de 60 quilômetros de Lima, quando se uniu a outros intelectuais peruanos para formar o Sendero Luminoso, na década de 1960, para enfrentar a ditadura militar que se instalou no país com apoio do governo dos Estados Unidos.

A prisão de Guzmán, em 12 de setembro de 1992, começou a desmantelar o grupo, que chegou a controlar o sul do Peru nos anos 1980, após a queda da ditadura militar. O Sendero Luminoso, de tendência maoísta, acreditava na revolução camponesa e passou a se organizar nas áreas rurais do país, antes de ascender na região urbana.

A queda do Sendero Luminoso foi uma bandeira do então presidente Alberto Fujimori, que utilizou a caçada ao grupo para fins políticos. Em 2009, o ex-mandatário peruano foi condenado a 25 anos de prisão, pela Corte do país, pelos abusos cometidos contra o grupo de Guzmán.

Fujimori teria sido o mandante do massacre de Barrios Altos e La Cantuta, em Lima, em 3 de novembro de 1991, quando 15 pessoas foram assassinadas a tiros em uma festa. O ex-presidente também teria ordenado, de acordo com a corte, o sequestro de jornalistas, professores e estudantes. O Movimento pela Anistia e Direitos Fundamentais (Movadef), está entre as organizações que exigem uma anistia geral dos membros do Sendero Luminoso, o que incluía Guzmán. Desde a campanha eleitoral, a direita peruana tenta relacionar, tanto o presidente eleito Pedro Castillo, quanto membros de seu governo, como o primeiro-ministro Guido Bellido Ugarte, à defesa do terrorismo, acusando-os de vínculos com organizações como o Movadef. A relação tem sido negada por parte dos integrantes do governo peruano.  

 

Edição: Mauro Ramos