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"Fecha a boca, Bolsonaro. Ouça a ciência", diz Lula em entrevista a Reinaldo Azevedo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo nesta quinta-feira (1), subiu o tom nas críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por sua condução dos esforços do país no combate à pandemia do novo coronavírus.

"Pelo amor de Deus, Bolsonaro, aceite o comando da ciência! Fecha a boca! Assim como você diz que não sabe falar de economia, não fale de saúde, deixe seus ministros falarem, o pessoal do SUS, os governadores", disse o ex-presidente. 

As críticas de Lula a Bolsonaro se dão pelo fato de o presidente não ter, segundo o petista, trabalhado para conscientizar a população sobre a importância do uso da máscara e de respeitar medidas de isolamento social, além de não ter mantido um esforço, desde o início da pandemia. para a aquisição de vacinas.

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"Estamos vivendo um genocídio, não de Estado, mas praticado pela irresponsabilidade de muitos, que brincam, que zombam, que inventam remédios. Deus queira que o novo ministro da Saúde assuma a responsabilidade e atenda aos apelos da ciência", afirmou Lula, no momento em que também expressou sua solidariedade a todos os mortos e familiares dos que perderam a vida no mundo para a covid-19.

:: Leia também: Covid-19: ministro da Saúde diz que fará campanha por "uso racional" de oxigênio :: Na entrevista, de pouco menos de uma hora e meia, o ex-presidente ainda respondeu a perguntas sobre a política externa brasileira e a saída do governo do ex-chanceler Ernesto Araújo, sobre as eleições de 2022, sobre a Operação Lava Jato e o período de mais de um ano em que permaneceu preso na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR). "Os governantes do mundo têm que se reunir para buscar uma saída para a pandemia. E a gente tem um presidente que não consegue falar com nenhum outro", disse o petista.

"Se esse cara (Jair Bolsonaro) estiver em uma calçada, ninguém quer falar com ele, os outros presidentes do mundo mudam de calçada. E ele colocou um chanceler que eu nunca vi ninguém mais bruto, ignorante e menos diplomático do que ele", afirmou o petista, que completou avaliando que o novo escolhido para o cargo só foi selecionado por suas relações com a família presidencial.

Privatizações

O jornalista da Bandeirantes perguntou a Lula se, caso viesse a ocupar novamente o cargo de presidente do Brasil, cogitaria privatizar alguma estatal do país. O ex-presidente disse que não é favorável a um Estado inchado, mas que considera importante que o Executivo federal mantenha o controle sobre empresas-chave, para que possa direcionar seus investimentos.

"Eu sou contra o governo empresarial, mas sou favorável a um governo que seja indutor do processo de desenvolvimento. A Petrobras pode ser uma empresa de economia mista, a Eletrobras também pode, a Caixa Econômica Federal, também. Por que não se pode colocar o Estado como instrumento indutor de investimentos?", questionou o ex-presidente.

Operação Lava Jato e prisão

Lula também foi perguntado e respondeu sobre os processos que sofreu no âmbito da Operação Lava Jato, a anulação judicial dessas mesmas ações e os 580 dias que passou na prisão, em Curitiba (PR).

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"Eu estou muito feliz que a Lava Jato saiu da minha vida. Era preciso pegar o Lula, o objetivo era tirar o Lula das eleições. Cinco anos depois, o [ministro do STF Edson] Fachin toma a decisão e anula os processos. Eu não tenho mais nada com a Lava Jato, durmo tranquilo e tenho certeza que [o ex-juiz Sergio] Moro e o [procurador da República Deltan] Dallagnol não dormem tranquilos". O ex-presidente afirmou que todo o tempo em que esteve na cela em Curitiba só pensava em "desmascarar a mentira de Sergio Moro" e que não guarda rancor de ninguém. "Nunca perdi minha honra. Sempre mantive a cabeça erguida. Sabia que a verdade iria aparecer".

Edição: Poliana Dallabrida

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