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Freixo pede explicações de Queiroga sobre bloqueio de servidor que denunciou governo

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) afirmou hoje (27) em sua conta no Twitter que vai pedir que o Ministério Público Federal (MPF) cobre explicações do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre por que o funcionário de carreira Luis Ricardo Miranda foi bloqueado no sistema interno do Ministério da Saúde.

O acesso do servidor foi suspenso dois dias após ele e seu irmão, deputado Luis Miranda (DEM-DF) denunciarem à CPI da Covid-19 no Senado um suposto esquema de corrupção na aquisição da vacina indiana Covaxin, que compromete nomes chaves da administração federal, como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

:: Brasil pagou 1000% a mais em vacina indiana que valor informado por embaixada no país ::

Entre os implicados estão o líder do governo no Congresso Nacional, Ricardo Barros (PP-PR), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o filho do presidente Eduardo Bolsonaro

Bolsonaro defensor de corrupto. O servidor público concursado Luís Ricardo Miranda teve o acesso ao sistema do @minsaude bloqueado após denunciar a ladroagem na compra da Covaxin. Não adianta, Bolsonaro. Você e seus comparsas não conseguirão esconder o propinoduto da vacina. pic.twitter.com/HUv5xSyrm4

— Marcelo Freixo (@MarceloFreixo) June 27, 2021

 

Pelas redes sociais, Freixo classificou a decisão como "ilegal" e sugeriu que a sanção é uma tentativa do governo federal de "esconder o propinoduto da vacina". 

O bloqueio foi revelado pelo deputado Luis Miranda, que publicou foto de uma conversa com o irmão pelo Whatsapp. No diálogo, o funcionário público envia uma imagem que mostra a mensagem "Usuário não possui permissões nesse sistema". "Me bloquearam no SEI", escreveu o funcionário público ao deputado. 

Aos defensores de bandidos, meu irmão acaba de descobrir que bloquearam ele do sistema do @minsaude , vale ressaltar que ele é funcionário de carreira! Isso é ilegal, perseguição e só comprova que eles tem muito para esconder… Meu irmão @guitargtr eu não vou te abandonar. pic.twitter.com/D8JthQBBQg

— Luis Miranda USA (@LuisMirandaUSA) June 27, 2021

O Sistema Eletrônico de Informações (SEI) é uma ferramenta de gestão de documentos e processos eletrônicos utilizada por toda administração pública federal. Lá são registradas as atividades cotidianas dos servidores. Sem acesso ao sistema, o funcionário fica impossibilitado de exercer as funções e até de fazer o registro na folha de frequência.

imagem28-06-2021-09-06-50 Funcionário público de carreira teve acesso pessoal ao sistema do Ministério da Saúde bloqueado após denunciar suposto esquema de corrupção envolvendo o governo federal / Divulgação

Tensão na CPI 

O depoimento dos irmãos Miranda à CPI da Covid-19 no Senado foi marcado por tensão e embates entre senadores. Ainda assim, são depoimentos-chave nas investigações, segundo parlamentares, porque apontam possíveis irregularidades do governo federal na compra vacina indiana Covaxin. O Palácio do Planalto nega qualquer irregularidade na aquisição do imunizante.

Na sessão, o deputado Luis Miranda confirmou, após quase nova horas de depoimento, que o nome citado por Bolsonaro nas negociações da vacina era do líder do governo no Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). “Todo mundo sabe que é Ricardo Barros”, disse Miranda em depoimento.

Após a citação, Barros se manifestou nas redes sociais dizendo que não participou da compra dos imunizantes. "Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. Não sou esse parlamentar citado. A investigação provará isso", escreveu no Twitter.

Edição: Sarah Fernandes