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Jandira Feghali cobra governador do RJ por "execuções sumárias" no Jacarezinho

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) cobrou explicações do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), sobre as 25 mortes registradas durante operação policial no bairro Jacarezinho, zona norte da capital fluminense.

Na tarde desta quinta-feira (6), ela pediu a palavra no plenário da Câmara dos Deputados e fez um pronunciamento dirigido aos órgãos de segurança pública do Rio de Janeiro sobre o ocorrido na madrugada.

"Entraram lá sem nenhum respeito aos direitos humanos, em uma operação policial proibida pelo Supremo Tribunal Federal, deferida em função da pandemia. Entraram sem nenhuma operação de inteligência, com casas invadidas. Pelo menos 25 pessoas foram executadas, na chamada execução sumária, em uma operação absurda", disse a parlamentar.

O pretexto da operação, considerada pela ONG Fogo Cruzado a "segunda chacina mais letal da história do estado", foi o combate ao tráfico de drogas.

"São verdadeiras chacinas. Não dá mais para o Rio aguentar esse tipo de mortandade em operações policiais. Queremos explicações, e obviamente o governador é o principal responsável pelo que aconteceu hoje. Queremos que tudo seja esclarecido", completou a deputada do PCdoB.

Após se solidarizar com as famílias das vítimas, Feghali lembrou que operações policiais em favelas do Rio são ilegais durante a pandemia, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) em junho de 2020.

"Aqui ninguém defende crimes. O problema é que não podemos julgar, a priori, que as pessoas mortas nessa operação policial eram objetivamente criminosos. Ninguém pode garantir que todos que morreram eram bandidos. E, se fossem, deveriam estar presos, porque execução sumária não é política de segurança", criticou a deputada, lembrando que defende "os direitos humanos dos policiais e da população."

O governador Cláudio Castro não se manifestou oficialmente sobre o caso. 

Em coletiva na tarde desta quinta-feira (6), a Polícia Civil lamentou a morte de um policial na operação e disse que as outras 24 pessoas assassinadas eram "suspeitas". Não há informações adicionais sobre o óbito de nenhuma delas ou sobre o que estavam fazendo quando foram atingidas.

Edição: Leandro Melito

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