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Líbano forma novo governo após 13 meses de crise política

O Líbano anunciou um novo governo após 13 meses de crise política, desatada depois da explosão no porto de Beirute. O presidente Michel Aoun anunciou Najib Mikati como primeiro-ministro, o terceiro a assumir o cargo desde 2020. 

O presidente Michel Aoun é cristão maronita, enquanto Najib Mikati é muçulmano sunita, reflexo do acordo político pós-Guerra Civil que obriga a distribuição dos principais cargos por linhas étnicas. Com o novo gabinete, composto por 24 ministros, o premiê libanês reiterou que pretende cooperar "com quem seja, menos com Israel".

Mikati, que havia sido premiê libanês em 2005 e 2011, é considerado o "homem mais rico do país", e agora promete  ter um plano emergencial para reverter o que qualificou como "colapso da nação" e devolver prosperidade aos libaneses. Uma das medidas para sair da crise econômica poderá ser a retomada das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), interrompidas pela falta de acordo em julho do ano passado.

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O novo primeiro-ministro reiterou que as eleições parlamentares, previstas para maio de 2022, estão mantidas. Na próxima segunda-feira (13), o novo gabinete deverá receber voto de confiança do parlamento libanês.

Outros cargos já confirmados são o de ministro de Relações Exteriores, com Abdullah Abu Habib, a pasta de Finanças será encabeçada por Youssef Khalil, ex-funcionário do Banco Central, e o ministério do Interior por Bassam Mawlawi. A única mulher no gabinete será Najla Riachi, ex-embaixadora na ONU e nova ministra de Reforma Administrativa. 

Desde a explosão no porto de Beirute, em agosto de 2020, que terminou com 221 mortos e cerca de US$5 milhões em prejuízos, o Líbano vive uma das maiores crises políticas e econômicas da sua história. Com uma retração de 20,3% do PIB em 2020, a inflação chegou a 200%, e a libra libanesa desvalorizou cerca 90% no último ano. De acordo com as Nações Unidas, cerca de 78% da população libanesa vive em situação de pobreza.   

Edição: Arturo Hartmann