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Livro explora as lendas do Velho Chico e valoriza a cultura popular nordestina

E se as crianças do interior de Pernambuco pudessem ler um livro de fantasia e mistério em que identificassem lugares e histórias familiares de toda uma vida? Essa pergunta motivou um jovem professor de Petrolina, no Sertão pernambucano, a escrever o livro “O clã do Velho Chico: O Despertar da Serpente”. A história explora o mundo das lendas do Velho Chico e vai desde Petrolina até Triunfo, Caruaru e Olinda e é escrita pelo professor Bruno Alexandre, licenciado em Química, que já ensinou para crianças e hoje ministra aula de ciências para adolescentes. 

O livro é centrado em uma família de Petrolina que busca se salvar da serpente, que se solta. Eles enfrentam monstros e segredos guardados há anos para salvar as pessoas que amam. Além do mistério e da magia, o livro aborda questões do cotidiano com uma pitada de ancestralidade. O professor continua divulgando mais lendas no Instagram e espera que com isso, a região possa ser cada vez mais reconhecida pela cultura que tem. 

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Tudo começou quando Bruno passou a utilizar a rede social Tik Tok como ferramenta didática para divulgar vídeos de Química. Na plataforma, o jovem também produzia outros tipos de vídeo. Em um desses, contou a primeira lenda na rede, a mais famosa de Petrolina: a da serpente que fica na Ilha do Fogo, no Rio São Francisco.

Segundo essa lenda, embaixo da ilha há uma cobra gigante presa por apenas três fios de cabelo de Nossa Senhora, dois deles que já haviam sido soltos. Bruno nem imaginava a repercussão que as histórias tomariam. 

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“Quando eu contei essa e todo mundo gostou, comecei a perceber que as crianças sempre pediam mais. Meu público ficou ainda mais infantojuvenil”, disse o professor. A partir daí, Bruno passou a contar lendas de todo o Nordeste enviadas pelo público.

O primeiro vídeo hoje passa de um milhão de visualizações. Após a repercussão, o jovem decidiu escrever um livro que explorasse a lenda contada, respondendo a uma pergunta que toda criança tinha quando ouvia a história: e, se a serpente se soltasse, o que aconteceria? 

Bruno conta que, quando criança, sempre teve essa curiosidade, e pensou que escrever um livro nesse ambiente poderia criar novas referências para as crianças da região, que poderiam se ver no livro, inclusive costumes e modo de falar.

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O professor enfatiza que as referências atuais são muito distantes, e cita a famosa saga Harry Potter como exemplo: "Harry Potter é muito legal, mas se passa em Londres, uma realidade muito distante da minha. Provavelmente uma criança que mora lá quando lê, pega referências. Eu queria fazer a mesma coisa aqui”.

Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Vanessa Gonzaga

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