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Mais de 14 mil menores recrutados por grupos ilegais na Colômbia

Miguel Caballos referiu ainda que, atualmente, a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) tem recrutados cerca de 2.500 menores

Mais de 14.000 menores colombianos foram recrutados nos últimos 20 anos por grupos armados ilegais, sobretudo pela guerrilha desmobilizada das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), indicou hoje o Alto Comissário para a Paz, Miguel Ceballos.”Na Colômbia, nos últimos 20 anos, os grupos armados recrutaram mais de 14.000 crianças e adolescentes. As antigas FARC são responsáveis por, pelo menos, 9.000 destes casos e as extintas forças [paramilitares] Autodefesas Unidas da Colômia (AUC) por mais de 1.500″, disse Ceballos num gravação áudio divulgada hoje por aquela organização.

Miguel Caballos referiu ainda que, atualmente, a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) tem recrutados cerca de 2.500 menores, enquanto os dissidentes das FARC e o Clã do Golfo, o principal grupo criminoso do país, “já contam com mais de 200 menores vítimas deste crime”.

“Não podemos permitir que mais uma criança seja recrutada. Exigimos que os grupos armados liberem todas para que possam regressar às suas famílias”, salientou Ceballos.

O funcionário incitou os grupos a libertá-los, numa altura em que a Colômbia está em quarentena para combater o novo coronavírus. “As crianças merecem respeito e a possibilidade de estarem ao lado de seus pais para que estes cuidem das suas vidas e da sua saúde”, disse.

Nesse sentido, o ex-guerrilheiro do ELN, Carlos Arturo Velandia, conhecido como “Felipe Torres” e que em março foi indicado pelo Governo colombiano para ser promotor da paz no país, explicou que os cenários de guerra “não são próprios para meninos, meninas e adolescentes”.

“O acampamento ou os grupos nunca serão espaços para as crianças crescerem felizes. Na minha qualidade de cidadão e promotor da paz, condeno todas as organizações armadas irregulares e peço que devolvam as crianças que têm para as suas casas, de onde elas não deveriam ter sido tiradas”, disse Torres.

Por seu lado, Gerardo Antonio Bermúdez, também conhecido como “Francisco Galán” e que também foi designado promotor da paz, considerou que a guerra e violência “não podem ser uma saída para menores”.

“As crianças devem ser retiradas de todas as formas de violência. A melhor maneira de o fazer é acabar com a guerra. Mas enquanto não acontece, apelo a todos os grupos armados para libertarem as crianças das suas fileiras para as suas famílias e dar-lhes alimentos e roupas”, disse “Galán”, que foi libertado da prisão em março para servir de promotor da paz.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) revelou, em 04 de março deste ano, que a Colômbia registou pelo menos 987 violações do Direito Internacional Humanitário (DIH) em 2019.

De entre as 987 violações reportadas aos 13 escritórios do CICV no país, 77% tinham a ver com ameaças violentas, assassinatos, atos de violência sexual e recrutamento de menores.

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