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Oposição de extrema direita decide participar das eleições regionais na Venezuela

A Venezuela espera os últimos detalhes para conhecer os candidatos às eleições regionais de 21 de novembro. O prazo para inscrição de candidaturas era até 29 de agosto, mas foi estenddido para 4 de setembro pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), atendendo um pedido dos opositores.

A novidade desse processo eleitoral é que a oposição de extrema-direita decidiu participar usando a legenda eleitoral da Mesa de Unidade Democrática (MUD), aliança que reuniu 33 organizações opositoras e venceu as eleições legislativas de 2015. Depois de seis anos boicotando os processos eleitorais, agora a oposição busca repetir o êxito, mas sem tanta unidade. 

Alguns setores moderados criticam o G4, grupo dos quatro maiores partidos de oposição (Vontade Popular, Ação Democrática, Primeiro Justiça e Um Novo Tempo) e o acusam de "sequestrar" a legenda da unidade sem diálogo amplo.

Após coletiva de imprensa, na última terça-feira (31), a Plataforma de Unidade lançou um comunicado reiterando que a decisão de participar das eleições acompanha a Mesa de Diálogo Nacional.

"Assumimos o compromisso de redobrar esforços para motivar o povo da Venezuela a ser parte deste episódio de luta, e fazer com que no dia 22 de novembro tenhamos conseguido avançar no caminho que nos levará a solucionar a grave crise da Venezuela: um acordo nacional e eleições presidenciais e parlamentares livres", afirmaram em comunicado. 

Já o chavismo inscreveu todas as suas candidaturas e sairá dividido novamente em duas plataformas. O Grande Polo Patriótico (GPP), liderado pelo governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que postulou mais de 3 mil candidatos. E a Alternativa Popular Revolucionária (APR) que increveu candidatos para a prefeitura e para disputar o governo dos 23 estados.

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Na capital, a oposição de direita anunciou nove candidaturas. Enquanto o GPP escolheu nas eleições primárias a ex-ministra do Interior, Justiça e Paz, Carmen Melendez. E a APR irá disputar com Eduardo Samán, ex-ministro de Comércio durante a gestão de Hugo Chávez. 

Apesar da decisão da oposição ter sido celebrada pela União Europeia e pelo embaixador estadunidense James Story, o ex-deputado Juan Guaidó reiterou que ainda não há condições para a realização de eleições livres. Ainda apontou que este seria um tema prioritário nas negociações entre governo e oposição que iniciam neste fim de semana, na Cidade do México.

Hoy inicia la primera ronda de negociación en México. ¡Estamos #UnidosParaLuchar! Por un acuerdo de Salvación Nacional ¡Estamos #UnidosParaLuchar! Por elecciones libres y justas ¡Estamos unidos por la salvación de Venezuela! Aquí nuestro mensaje al país👇🏽 pic.twitter.com/oachXZON8l

— Juan Guaidó (@jguaido) September 3, 2021

Por outro lado, Henrique Capriles, quem foi governador do estado Miranda, o mais populoso do país, e candidato opositor contra o ex-presidente Chávez, reiterou a importância de participar do processo.

"Há que romper a inércia, sair da apatia e nos organizar-mos. As eleições de 21 de novembro não são o objetivo, senão uma parte importante da rota para a mudança que há anos buscamos no nosso país", afirmou:: Entenda os fatores que levaram Guaidó a propor um acordo nacional na Venezuela :: 

Já o presidente Nicolás Maduro se reuniu com seu grupo de representantes antes que embarcassem para o México e afirmou que é prioridade "fazer de tudo para que a oposição não abandone a mesa de diálogo".

Em dois meses os venezuelanos deverão escolher 23 governadores, 335 prefeitos, 253 deputados estaduais e 2.471 vereadores. Este será o 26º processo eleitoral em quase 22 anos de chavismo. Também serão as últimas eleições antes das presidencias de 2024.

Edição: Vinícius Segalla