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Para combater “pandemia da fome”, MTST inaugura cozinha solidária em SP

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) inaugurou o primeiro equipamento do projeto Cozinha Solidária neste sábado (13), na Brasilândia, zona norte de São Paulo.

Os sem-teto pretendem distribuir, de início, 100 refeições por dia para a população mais atingida pela pandemia da covid-19. As marmitas serão oferecidas de terça a domingo, das 12h às 13h.

A Cozinha Solidária é um projeto nacional do movimento e fruto da Campanha de Solidariedade do MTST, criada no início de pandemia para a arrecadação de alimentos e doação de cestas básicas.

O MTST pretende abrir uma cozinha por semana ao longo do mês de março e dobrar a meta em abril. As próximas unidades serão em Alagoas, Rio de Janeiro e Distrito Federal. 

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A abertura da Cozinha Solidária Brasilândia contou com a presença de Guilherme Boulos e da chef de cozinha Paola Carosella.

Segundo o o coordenador do MTST,  projeto foi idealizado pelos sem-teto como uma resposta à volta da fome nas comunidades, periferias e ocupações da cidades brasileiras. 

“Temos hoje, junto com a pandemia da covid, uma epidemia de fome no Brasil causada pelo desemprego e pela inflação dos alimentos. Há muito tempo não se via um cenário de carestia tão grande”, afirma Boulos.

imagem13-03-2021-18-03-06 Chefe de cozinha Paola Carosella participa da inauração da cozinha solidária no Jardim Damasceno, na Brasilândia / Foto: MTST

O ex-candidato à Prefeitura de São Paulo explica que, mesmo com as doações de cestas básicas, muitos não conseguem comprar gás de cozinha e preparar os alimentos de forma adequada. Justamente por isso a entregas de marmitas para a população em situação econômica mais vulnerável é imprescindível nesse momento.

Ainda de acordo com o líder do MTST, as consequências da pandemia foram aprofundadas por políticas medidas adotadas por Jair Bolsonaro e sua equipe assim que chegaram ao Palácio do Planalto.

Entre elas o desmantelamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o corte de verbas para o Programa de Aquisição da Agricultura Familiar (PAA). 

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“A política de segurança alimentar no Brasil foi desmontada. Se isso tivesse sido mantida, hoje haveria condição para distribuição de alimentos como complemento ao auxílio emergencial no país todo”, comenta Boulos.

“Essa não é a preocupação do governo Bolsonaro e da maior parte dos governos locais no Brasil. É o movimento social fazendo o que o governo não faz”, critica a liderança. 

imagem13-03-2021-18-03-07 Serão doadas 100 marmitas de segunda a domingo, do 12h às 13h / Foto: MTST

Solidariedade e comida de verdade

O projeto Cozinha Solidária é realizado pelo MTST por meio do Fundo Solidário aos Sem-Teto, uma arrecadação virtual que segue aberta para doações que permitirão a expandir os equipamentos.

Além de combater a fome, uma das prioridades da organização é garantir uma alimentação de qualidade para a população por meio de produtos orgânicos. Uma das próximas etapas da iniciativa é fortalecer parcerias com a agricultura familiar. 

“Vamos buscar parceria com movimentos sociais do campo para o fornecimento de alimentos para as cozinhas solidárias para que a gente não só assegure que as pessoas possam se alimentar, mas que seja uma alimentação saudável, sem veneno”, ressalta Boulos.

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Os refeitórios ligados às cozinhas solidárias permanecerão fechados até que a pandemia de covid-19 esteja sob controle.

No início do mês, o MTST inaugurou o Conjunto Habitacional Dandara na zona leste de São Paulo, primeiro condomínio popular com uma horta orgânica. 

Foram 216 apartamentos  construídos por meio da modalidade “Entidades” do programa Minha Casa, Minha Vida, em que a própria organização é responsável pelo desenvolvimento do projeto.

Edição: Douglas Matos

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