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Reunião do Mercosul termina sem acordo e com bate-boca entre Guedes e Martin Guzmán

Os ministros de Relações Exteriores de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai se reuniram de maneira virtual, na última segunda-feira (26), para debater a proposta uruguaia de flexibilização das relações comerciais do bloco e diminuição dos impostos de exportação. A reunião também contou com a presença do ministros da Economia e com os presidentes de Uruguai e Argentina. 

Sem acordo inicial, a proposta será estudada pelos países-membros e novamente debatida na próxima reunião presencial, em maio, em Buenos Aires.    O Uruguai também sugere que seja aprovado um Plano de Negociações Externas ainda no primeiro semestre deste ano. O texto de 11 artigos sugere maior abertura para negociações internacionais e a redução da Tarifa Externa Comum (AEC – siglas em espanhol) de 12,8% para 5,5%.

A proposta, apoiada pelo Brasil, seria uma alternativa imediata enquanto não se aprova o Acordo de Livre Comércio com a União Europeia e com o EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça).

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Em contraposição, a Argentina, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul, afirmou que aceitaria reduzir a Tarifa Externa Comum a uma média de 10,5%, segmentando os produtos agrícolas, industriais, bens de capital, informática e telecomunicações, colocando menos impostos sobre as matérias-primas e mais taxas sobre as manufaturas. 

imagem27-04-2021-21-04-37 Os ministros uruguaios pressionaram para que o Mercosul assine os acordos comerciais pendentes ainda no primeiro semestre do ano / Reprodução / Twitter

O Paraguai foi contrário às mudanças e pediu que os países respeitem a carta de fundação do Mercosul, que acaba de completar 30 anos.

Em um dos momentos mais tensos do encontro, o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, afirmou que o seu país "não pode esperar 20 anos para assinar acordos". Em resposta, o chefe de Estado argentino, Alberto Fernández, disse que o Mercosul não deve ser "um peso para ninguém" e quem não está contente pode "tomar outro rumo". 

Também houve uma troca de farpas entre o ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, e seu par argentino, Martin Guzmán, sobre liberalismo econômico. 

Guedes defendeu que a "mão invisível do mercado" iria ajudar a reativar as economias, como aconteceu no continente asiático no pós-guerra.

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Guzmán revidou dizendo que "a mão é invisível porque não existe" e enfatizou que aumentar as exportações "é uma condição necessária para crescimento sustentável das nossas economias. Mas esse crescimento econômico deve ser inclusivo, deve vir acompanhado de equidade na distribuição dos benefícios".

Como passo prévio à próxima reunião presencial, o chanceler argentino Felipe Solá pediu que seu homólogo uruguaio inclua na sua proposta as prioridades nas relações internacionais, de acordo com os interesses da agenda externa do Mercosul.

Edição: Vinícius Segalla

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