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Venezuela adota tratamentos alternativos para pacientes com sequelas da covid-19

A Venezuela começou a adotar tratamentos alternativos para pacientes com sequelas de covid-19

Passado um ano da pandemia, o país mantém um dos menores índices de letalidade por coronavírus da região e uma taxa de recuperação de 90% dos infectados. Ao todo, são 147.577 contaminados e 1.459 mortos, segundo dados oficiais.

A receita venezuelana para lidar com a pandemia foi aliar o Estado a organizações comunitárias para realizar a prevenção e a identificação dos casos logo no início, garantir tratamento completo pelo sistema público de saúde e contar com a ajuda humanitária de aliados e organismos multilaterais.

Nesse segundo momento da pandemia, o país passa a tratar também os efeitos secundários da doença.

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As sequelas da covid-19 podem atingir o sistema respiratório, cardíaco e neurológico. Os efeitos vão de dores no corpo, ansiedade, insônia, fadiga, problemas de circulação, dificuldade para respirar até hipertensão.

Profissionais da Fundação Artesano realizaram um estudo com 1.500 pacientes para identificar as principais sequelas e elaborar um protocolo de atendimento.

“É um método venezuelano de tratamento que une a neurologia com 16 tipos de acupuntura. Estamos formando médicos cubanos e venezuelanos que atendem nos postos de saúde para que possamos tratar o maior número de pacientes possível para ajudar nesse desequilíbrio”, conta a médica Febe Aular, uma das coordenadoras do grupo.

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Até o momento, o governo venezuelano, junto à prefeitura de Caracas, abriu dez centros, de um total de 44, para reabilitar pacientes com sequelas.

O tratamento inclui, entre outras práticas, a quiropraxia, a acupuntura, a fitoterapia, e a auto hemoterapia, que consiste na transfusão do próprio sangue do paciente na camada muscular para aumentar sua imunidade.

imagem20-03-2021-09-03-48 O governo venezuelano e a prefeitura de Caracas abriram dez centros de reabilitação integral, de um total de 44, que prestarão atendimento gratuito à população / Michele de Mello / Brasil de Fato

A união entre a medicina ancestral oriental e a neurologia moderna foi o caminho encontrado pelo doutor Juan Mario Montecinos para atender de maneira mais eficiente os casos de pós-covid.

"São fenômenos que só podem ser explicados com a neurologia, pela velocidade da transmissão dos neurônios. Todo esse processo quem realiza é o cérebro", explica o médico venezuelano que realizou um doutorado em acupuntura em Taiwan.

"O que fazemos é estimular as capas dérmicas da pele para atingir distintas áreas do cérebro e criamos um efeito antiinflamatório em segundos", completa.

Para os pacientes ouvidos pelo Brasil de Fato, o resultado é imediato.

"Eu usava dexametasona [medicamento a base de corticoides]. Depois da covid, comecei a ter alergia ao medicamento. Com 15 minutos já estava toda vermelha e sentia dificuldade para respirar", relata a educadora Adria Casu, que se contaminou junto a outros 18 membros da sua família.

"Nesse momento, me aplicaram acupuntura e, ainda na minha casa, me tiraram desse quadro de asma. Desde então estou aqui me tratando, porque eu já havia terminado o tratamento da covid quando tive essa reação".

A família de César Pernia também adoeceu em conjunto no final de janeiro. Passaram todo o mês de fevereiro isolados e em março, já curados, perceberam que ainda mantinham algumas sequelas.

"Estive no oxigênio 14h diárias. Hoje já me sinto melhor, mas tenho muitos sintomas como fadiga, dor de cabeça, dificuldade para respirar, cansaço. Esta é a minha primeira sessão de terapia e já posso respirar melhor. Fisicamente me sinto melhor. Espero dormir bem, já que também sofro de insônia e durmo no máximo 4h por noite", relata Pernia.

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O tratamento alternativo tem impactos imediatos nos pacientes, que nas primeiras sessões relatam melhora nas sequelas da doença / Michele de Mello / Brasil de Fato

Apesar do preconceito com as práticas ancestrais chinesas, o doutor Montecinos reafirma a efetividade do seu método.

“Essa medicina é a mais antiga do mundo: 70% da população mundial faz uso dessa medicina há quase 5 mil anos. Acontece que a medicina ortodoxa ocidental ocupou muito espaço no campo da informação. Na Ásia, esta é uma medicina sem objeções. Todo mundo faz acupuntura e fitoterapia. Assim como na América Latina, onde muitos povos se tratam com ervas”, defende.

Além da reabilitação totalmente gratuita, os profissionais venezuelanos insistem na importância da prevenção.

“Promovemos cinco elementos fundamentais para a prevenção: hidratação adequada, respiração consciente, consumo de alimentos naturais, evitando alimentos pró inflamatórios, como os lácteos, a farinha refinada, alimentos muito processados, e promovemos a atividade física e o descanso”, explica o cirurgião e terapeuta holístico, René Moreno.

Edição: Poliana Dallabrida

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