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Vereador diz que Celso Pitta era "negro de verdade, de alma branca" e será denunciado ao MP

O vereador da cidade de São Paulo Arnaldo Faria de Sá (PP) afirmou, em sessão plenária da Câmara nesta segunda-feira (12), que se preocupava com o ex-prefeito Celso Pitta (1997-2001), de quem era secretário de Governo, que "era um negro de verdade, um negro de alma branca, como as pessoas costumam dizer". O áudio com a declaração do parlamentar pode ser ouvido acima. 

A manifestação do vereador gerou pronta reação na Câmara paulistana. A vereadora Elaine Mineiro (PSOL) informou ao Brasil de Fato que apresentará denúncia ao Ministério Público por crime de racismo contra Faria de Sá na manhã da próxima terça-feira (13). Também informou que acionará a Corregedoria da Casa Legislativa municipal.

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"É inadmissível que uma fala como essa passe impune. A população negra de São Paulo não merece ter um representante que fale dessa forma. Vamos tomar as medidas jurídicas na Câmara e também denunciamos ao Ministério Público esse desrespeito com a população negra. É uma fala que ofende a honra e a dignidade de toda população negra", afirmou a vereadora, que representa o mandado coletivo "Quilombo Periférico". 

Foi exatamente uma manifestação de Mineiro que gerou a reação de Faria de Sá. Nesta segunda, a Câmara da capital paulista debatia em plenário o Projeto de Intervenção Urbana do centro da cidade, cuja aprovação estava sendo decidida por meio de votação do Projeto de Lei 712 /2020. 

De acordo com a vereadora, a proposta de lei servirá para que projetos habitacionais que privilegiam empreendimentos imobiliários voltados para as classes média e média-alta no centro da cidade, sob a justificativa (falsa, segundo a parlamentar) de incentivar investimentos habitacionais, ganhem prioridade nos planos e normas avalizados pelo município. Disse, entçao, a vereadora Eliane Mineiro:

Atente, cidade de São Paulo: vão votar esse projeto aqui aqui falando que é um projeto para garantir moradia, mas a lei que estão querendo votar hoje é para substituir uma lei de 1997 que também prometia investimento em habitação social. Sabem quantas habitações sociais foram feitas? NENHUMA!

Esse projeto pode até estimular moradia, mas não é para você que mora no centro, cidadãs e cidadãos! Não é para vocês cidadãos e cidadãs que precisam de moradia que farão novas casa, é para pessoas ricas, para os filhos das pessoas ricas, para estrangeiros alugarem airbnb. O projeto vai expulsar vocês, não vai ajudar com o défcit habitacional de São Paulo e ainda vai dar um monte de benefício financeiro para a empreiteira! 

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Em seguida, Arnaldo Faria de Sá – tradicional político conservador paulistano aliado ao ex-prefeito Paulo Maluf -, que cumpriu oito mandatos sucessivos como deputado federal de 1987 a 2019 antes de se tornar vereador paulistano em 2021, insuflou-se contra a fala da vereadora Mineiro, que é negra e encabeça um mandato coletivo que tem como principal bandeira a luta contra o racismo.

Faria de Sá fez uso do fato de ter sido secretário de governo de Celso Pitta – negro, eleito prefeito de São Paulo como sucessor de Paulo Maluf – para dizer que não poderia ser acusado de defender um projeto de lei que fosse contra a população negra, já que teria sido ferrenho defensor do ex-prefeito malufista, "este sim um negro de verdade, de alma branca".

Na noite desta segunda-feira, a bancada municipal em São Paulo do PSOL informou ao Brasil de Fato que irá protocolar "uma denúncia na Corregedoria da Câmara contra Faria de Sá por quebra de decoro, além de protocolar representação criminal no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância – Gecradi – do Ministério Público do Estado de São Paulo.

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Edição: Rodrigo Durão Coelho